Por: Martha Medeiros
Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.
Martha Medeiros
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Sem lugar
O que fazer quando nada mais importa?
Pra onde seguir se as portas se fecharam?
A escuridão tomou conta da sala,
Que esta fechada para visitação.
As janelas não se abrem,
A claridade insiste em penetrar pela fenda,
Que aos poucos diminui
Bloqueando a passagem do vento.
O nada corrompeu os sentidos
O vazio preenche os espaços
E a vida se esvaindo em meio ao caos da alienação.
Prosseguir é o mais difícil,
Desistir é possível,
Permanecer imutável na solidão de si mesmo
Com o tempo correndo ao contrário.
Perder o que não se tem,
Encontrar o que não se conhece,
Partir sem deixar marcas
Somente a procura do inexistente.
Pra onde seguir se as portas se fecharam?
A escuridão tomou conta da sala,
Que esta fechada para visitação.
As janelas não se abrem,
A claridade insiste em penetrar pela fenda,
Que aos poucos diminui
Bloqueando a passagem do vento.
O nada corrompeu os sentidos
O vazio preenche os espaços
E a vida se esvaindo em meio ao caos da alienação.
Prosseguir é o mais difícil,
Desistir é possível,
Permanecer imutável na solidão de si mesmo
Com o tempo correndo ao contrário.
Perder o que não se tem,
Encontrar o que não se conhece,
Partir sem deixar marcas
Somente a procura do inexistente.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Poucas palavras,
O dia seis de janeiro,
ficará pra sempre marcado em meu coração,
o dia em que você partiu.
A saudade só cresce a cada instante,
vai ser dificil aceitar,
a lágrima escorre, sem perceber
sinto um aperto no peito,
a dor da ausência.
que sufoca,fere...
mas a vida é assim,desta maneira,
um dia também não estarei mais aqui,
e neste dia... espero te encontrar.
ficará pra sempre marcado em meu coração,
o dia em que você partiu.
A saudade só cresce a cada instante,
vai ser dificil aceitar,
a lágrima escorre, sem perceber
sinto um aperto no peito,
a dor da ausência.
que sufoca,fere...
mas a vida é assim,desta maneira,
um dia também não estarei mais aqui,
e neste dia... espero te encontrar.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Só por hoje,
pude me sentir, me enxergar,
consegui entender o que sou,de onde vim
pude entender o que é real, e o que não faz sentido,
o amor, a raiva,
eros e thanatos....
enfim,parar de sentir o que não deve ser sentido,
não sentir o sem sentido,
e deixar, pelo menos, só por hoje,
a vida caminhar em paz.
Só por hoje
somente deixar fluir,
correr a favor do vento,
descer a ladeira sem medo,
e simplesmente:VIVER
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Finalmente....

O ano começou..Pelo menos o meu sim...
Segunda feira, tudo volta ao normal, e entre esse “tudo” minhas sessões de terapia no divã.
Como fiquei deprimida,solitária e estranha sem as minhas 3 visitas semanais à psicanalista. Parecia uma criança sem o seu brinquedinho favorito...
Chorei,me desesperei... enfim, mas agora são águas passadas, e hoje é o dia D, dia de matar as saudades, de falar de minhas neuroses, de como foram meus festejos de fim de ano, e de como sobrevivi todos esses dias que fiquei sem ver a minha tão amada Analista!
Como eu amo FREUD!!!!!
domingo, 3 de janeiro de 2010
Para pensar....
"Os homens ofendem mais ao que amam do que ao que temem."
- Maquiavel -
"Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons"
- Freud -
"Se você não demorar muito, posso esperá-la pela vida toda."
-Oscar Wild-
"O melhor tempero da comida é a fome."
- Cícero -
- Maquiavel -
"Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons"
- Freud -
"Se você não demorar muito, posso esperá-la pela vida toda."
-Oscar Wild-
"O melhor tempero da comida é a fome."
- Cícero -
Os bons morrem jovens
E que venha 2010
Que início de ano mais complicado.
Se já não bastasse 2009 ser tomado por tragédias...posso enumerar algumas aqui só prara relembrar_(PS:Não relatei em ordem cronológica):
1-Surto de gripe suína, causada pelo vírus H1N1, contra o qual ainda não existe vacina, espalha-se pelo mundo a partir da América do Norte, causando mais de 50 mortes e 4881 casos confirmados de contaminação na Europa, Ásia, Oceania e América
Latina.
2-Avião da Air France some perto da costa brasileira e acidente deixa 228 mortos.
E os casos de polícia:
3-Avião roubado cai em GO; pai e filha morrem
Em março, um monomotor caiu no estacionamento de um shopping de Goiânia. O piloto, Cleber Barbosa da Silva, 30 anos, e a filha, Penélope Barbosa Correia, 5 anos, morreram na hora. Mais tarde, a polícia informou que Silva viajava de carro quando brigou com a mulher, agrediu ela com um extintor e a jogou para fora do veículo. Em seguida, entrou em um aeroclube, rendeu o piloto de um monomotor e entrou na aeronave com a filha. Depois de dar rasantes na cidade de Goiânia, acompanhado por caças da Força Aérea Brasileira (FAB), o avião caiu. Para a polícia, o homem derrubou o avião de forma proposital.
4-Presa suspeita de sedar bebês.A técnica em enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro, 25 anos, foi presa em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, acusada de ter injetado alta dose de sedativos em 11 bebês no hospital da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Ela chegou a admitir o crime, alegando problemas pessoais com religião e família, mas voltou atrás.
5-No dia 11 de fevereiro, o Itamaraty divulgou o relato de uma brasileira que dizia ter sofrido um ataque de um grupo skinhead em Zurique, na Suíça. Paula Oliveira, 26 anos, disse à polícia local ter pedido os gêmeos que esperava depois que três homens, de cabelos raspados, a espancaram e fizeram cortes em seu corpo. A pele da brasileira apresentava siglas de um partido de extrema direita, contrário à entrada de imigrantes. O governo brasileiro passou a condenar o até então ataque xenófobo, até a polícia local afirmar que tudo se tratava de uma farsa de Paula.
6-Em fevereiro, um casal de namorados foi atacado a tiros em uma trilha no Morro do Boi, no balneário de Caiobá, no Paraná. Osíris Del Corso, 22 anos, morreu e Monik Pergorari de Lima, 23 anos, foi gravemente ferida. O criminoso voltou ao local do crime horas depois e abusou da vítima. O suspeito foi preso e reconhecido por Monik. Cinco meses depois, um homem confessou ter sido o verdadeiro autor do crime. Em menos de um mês depois, o novo suspeito voltou atrás e disse ter confessado o crime sob tortura.
7-Enchentes que assolaram o país,principalmente no mês de Dezembro,causando estragos e mortes por todos os cantos do Brasil.
8- A morte de Michael Jackson e de outras celebridades que jamais serão esquecidas.
Tentei repassar aqui alguns dos fatos mais marcantes,porém,muitos ficaram de fora
quem se lembrar,é só deixar nos comentários.
2010 não começou muito diferente.E mal entrou o novo ano,e mais desgraças coletivas,como a que aconteceu em Angra/RJ.
O que pensar disso tudo?
A dor de famílias que perderam filhos,pais,irmãos...no primeiro dia do ano.
Como serão os próximos 362 dias?
.
.
.
.
.
.
.
Bem
E quanto aos meus dias de 2009.... prefiro não relembrar.
e 2010....eu conseguindo me manter viva,prefiro nem pensar no resto.
Se já não bastasse 2009 ser tomado por tragédias...posso enumerar algumas aqui só prara relembrar_(PS:Não relatei em ordem cronológica):
1-Surto de gripe suína, causada pelo vírus H1N1, contra o qual ainda não existe vacina, espalha-se pelo mundo a partir da América do Norte, causando mais de 50 mortes e 4881 casos confirmados de contaminação na Europa, Ásia, Oceania e América
Latina.
2-Avião da Air France some perto da costa brasileira e acidente deixa 228 mortos.
E os casos de polícia:
3-Avião roubado cai em GO; pai e filha morrem
Em março, um monomotor caiu no estacionamento de um shopping de Goiânia. O piloto, Cleber Barbosa da Silva, 30 anos, e a filha, Penélope Barbosa Correia, 5 anos, morreram na hora. Mais tarde, a polícia informou que Silva viajava de carro quando brigou com a mulher, agrediu ela com um extintor e a jogou para fora do veículo. Em seguida, entrou em um aeroclube, rendeu o piloto de um monomotor e entrou na aeronave com a filha. Depois de dar rasantes na cidade de Goiânia, acompanhado por caças da Força Aérea Brasileira (FAB), o avião caiu. Para a polícia, o homem derrubou o avião de forma proposital.
4-Presa suspeita de sedar bebês.A técnica em enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro, 25 anos, foi presa em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, acusada de ter injetado alta dose de sedativos em 11 bebês no hospital da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Ela chegou a admitir o crime, alegando problemas pessoais com religião e família, mas voltou atrás.
5-No dia 11 de fevereiro, o Itamaraty divulgou o relato de uma brasileira que dizia ter sofrido um ataque de um grupo skinhead em Zurique, na Suíça. Paula Oliveira, 26 anos, disse à polícia local ter pedido os gêmeos que esperava depois que três homens, de cabelos raspados, a espancaram e fizeram cortes em seu corpo. A pele da brasileira apresentava siglas de um partido de extrema direita, contrário à entrada de imigrantes. O governo brasileiro passou a condenar o até então ataque xenófobo, até a polícia local afirmar que tudo se tratava de uma farsa de Paula.
6-Em fevereiro, um casal de namorados foi atacado a tiros em uma trilha no Morro do Boi, no balneário de Caiobá, no Paraná. Osíris Del Corso, 22 anos, morreu e Monik Pergorari de Lima, 23 anos, foi gravemente ferida. O criminoso voltou ao local do crime horas depois e abusou da vítima. O suspeito foi preso e reconhecido por Monik. Cinco meses depois, um homem confessou ter sido o verdadeiro autor do crime. Em menos de um mês depois, o novo suspeito voltou atrás e disse ter confessado o crime sob tortura.
7-Enchentes que assolaram o país,principalmente no mês de Dezembro,causando estragos e mortes por todos os cantos do Brasil.
8- A morte de Michael Jackson e de outras celebridades que jamais serão esquecidas.
Tentei repassar aqui alguns dos fatos mais marcantes,porém,muitos ficaram de fora
quem se lembrar,é só deixar nos comentários.
2010 não começou muito diferente.E mal entrou o novo ano,e mais desgraças coletivas,como a que aconteceu em Angra/RJ.
O que pensar disso tudo?
A dor de famílias que perderam filhos,pais,irmãos...no primeiro dia do ano.
Como serão os próximos 362 dias?
.
.
.
.
.
.
.
Bem
E quanto aos meus dias de 2009.... prefiro não relembrar.
e 2010....eu conseguindo me manter viva,prefiro nem pensar no resto.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Sumi...
Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.
Por:Martha Medeiros
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.
Por:Martha Medeiros
A DOR QUE DÓI MAIS
Por:Martha Medeiros
RECOMENDO
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Decidi Apresentar:
Martha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tenho trabalhado como redatora e diretora de criação em vária agências daquela cidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses apenas escrevendo poesia.
De volta ao Brasil, começou a colaborar com crônicas para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde até hoje mantém coluna no caderno ZH Donna, que circula aos domingos, e outra — às quartas-feiras — no Segundo Caderno. Escreve, também, uma coluna semanal para o sítio Almas Gêmeas e colabora com a revista Época.
Seu primeiro livro, Strip-Tease (1985), Editora Brasiliense - São Paulo, foi o primeiro de seus trabalhos publicados. Seguiram-se Meia noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991), De cara lavada (1995), Poesia Reunida (1998), Geração Bivolt (1995), Topless (1997) e Santiago do Chile (1996). Seu livro de crônicas Trem-Bala (1999), já na 9a. edição, foi adaptado com sucesso para o teatro, sob direção de Irene Brietzke. A autora é casada e tem duas filhas
RECOMENDO
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Decidi Apresentar:
Martha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tenho trabalhado como redatora e diretora de criação em vária agências daquela cidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses apenas escrevendo poesia.
De volta ao Brasil, começou a colaborar com crônicas para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde até hoje mantém coluna no caderno ZH Donna, que circula aos domingos, e outra — às quartas-feiras — no Segundo Caderno. Escreve, também, uma coluna semanal para o sítio Almas Gêmeas e colabora com a revista Época.
Seu primeiro livro, Strip-Tease (1985), Editora Brasiliense - São Paulo, foi o primeiro de seus trabalhos publicados. Seguiram-se Meia noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991), De cara lavada (1995), Poesia Reunida (1998), Geração Bivolt (1995), Topless (1997) e Santiago do Chile (1996). Seu livro de crônicas Trem-Bala (1999), já na 9a. edição, foi adaptado com sucesso para o teatro, sob direção de Irene Brietzke. A autora é casada e tem duas filhas
O Ciclo
Caminho por entre espinhos, em cada andar.
Perco-me por entre passos curtos porém largos
Olho para o lado... Longe na distância que separa
A realidade ilusória construída por fragmentos de dor
E pedaços de sentimentos contraditórios.
Atravesso a tempestade de forma lenta e passiva
Meus olhos sangram ao enxergar,
O que não pode ser visto.
Perco os sentidos e a vida não mais é sentida,
Ela é expressa somente no instante vivido.
Dois caminhos se cruzam,
Duas estradas e um só pensamento,
A dúvida corrompe o caminhar,
Levando ao extremo da insanidade.
O que fazer se não há nada a ser feito?
O que mudar se a escolha não decide?
Esperar... Acordar.... Continuar a caminhar.....
(Lyvia Scheid)
Perco-me por entre passos curtos porém largos
Olho para o lado... Longe na distância que separa
A realidade ilusória construída por fragmentos de dor
E pedaços de sentimentos contraditórios.
Atravesso a tempestade de forma lenta e passiva
Meus olhos sangram ao enxergar,
O que não pode ser visto.
Perco os sentidos e a vida não mais é sentida,
Ela é expressa somente no instante vivido.
Dois caminhos se cruzam,
Duas estradas e um só pensamento,
A dúvida corrompe o caminhar,
Levando ao extremo da insanidade.
O que fazer se não há nada a ser feito?
O que mudar se a escolha não decide?
Esperar... Acordar.... Continuar a caminhar.....
(Lyvia Scheid)
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Ela....
É o motivo da minha insônia,
do meu desespero.
Não consigo entender o que sinto,nem o que penso.
É dificil porque é um sentimento que tenho que esquecer,
tenho que esconder...
Será que é amor?
ou paixão?
Não sei.... não entendo
só sei que sinto!
Ela permanece em meus pensamentos,
em meus sonhos,
em meus dias....
do meu desespero.
Não consigo entender o que sinto,nem o que penso.
É dificil porque é um sentimento que tenho que esquecer,
tenho que esconder...
Será que é amor?
ou paixão?
Não sei.... não entendo
só sei que sinto!
Ela permanece em meus pensamentos,
em meus sonhos,
em meus dias....
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Não sei
Nem sem por onde começar,tenho tido dias dificeis e pensamentos negativos a maior parte do tempo.Ontem tive uma crise forte, pois, o vazio e a angústia me consumirar e nada me fazia ficar bem, então como há tempos não fazia, eu peguei uma lâmina e fiz um corte profundo em minha mão, o incrivel foi que na hora tudo passou...recorrer a auto mutilação é a minha arma contra a dor e momentos ruins.
O que me ajudou bastante foi o fato da minha psicanalista ter me ligado, ela ficou quase 1 hora comigo no telefone, tentando tirar da minha cabeça a ideia da morte, que permeia meus pensamentos nessas horas...
Fico bastante confusa, porque,estou tomando meus remédios na hora certa, faço terapia 3 vezes por semana, mas mesmo assim continuo tendo recaídas.. qualquer coisa que me acontece é motivo pra ficar mal e ir me deprimindo cada vez mais.
não sei o que eu faço...
NÃO SEI SE PERMANEÇO OU SE PARO!
O que me ajudou bastante foi o fato da minha psicanalista ter me ligado, ela ficou quase 1 hora comigo no telefone, tentando tirar da minha cabeça a ideia da morte, que permeia meus pensamentos nessas horas...
Fico bastante confusa, porque,estou tomando meus remédios na hora certa, faço terapia 3 vezes por semana, mas mesmo assim continuo tendo recaídas.. qualquer coisa que me acontece é motivo pra ficar mal e ir me deprimindo cada vez mais.
não sei o que eu faço...
NÃO SEI SE PERMANEÇO OU SE PARO!
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Não poderia deixar de registrar aqui,algo sobre esse filme fantástico:
--------------------------------------------------------------------------------
Por Carla Navarrete, da Redação Yahoo! Brasil
James Cameron é um diretor que gosta de correr riscos, mas sabe assumi-los. "Titanic", lançado em 1997, consumiu US$ 200 milhões para ser produzido, mas se tornou a maior bilheteria de todos os tempos do cinema, até hoje sem um sucessor. Doze anos se passaram até que ele voltasse a dirigir um longa-metragem de ficção. O resultado é "Avatar", que estreia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros.
Como o próprio diretor definiu, "Avatar" é uma metáfora sobre como a humanidade trata o lugar onde vive. O ano é de 2.154 e, como se não bastasse ter exaurido os recursos naturais da Terra, o homem rumou para um novo planeta, chamado Pandora, para explorá-lo bem ao estilo da época do colonialismo, atrás principalmente de um minério que não existe por aqui. Em meio a isso, o ex-fuzileiro naval Jake Sully (Sam Worthington, de "O Exterminador do Futuro - A Salvação"), preso a uma cadeira de rodas, recebe a oportunidade de assumir o trabalho de seu falecido irmão gêmeo no tal lugar.
Dona de uma atmosfera nociva para os humanos, que são obrigados a utilizar máscaras para respirar por lá, Pandora lembra como a Terra era há milhões de anos, com uma fauna de animais gigantes e flora repleta de plantas selvagens. Convivendo em perfeita simbiose com a natureza está a raça humanóide Na'vi, grandalhões azuis que vivem mais ou menos como as tribos indígenas.
Sully é deslocado para o projeto Avatar, dirigido pela cientista Grace (Sigourney Weaver). Nele, sua mente é conectada a um corpo híbrido, geneticamente criado, que mantém suas feições, mas se parece com o dos Na'vi. Tudo para tentar se aproximar da civilização que reluta em aceitar a presença dos humanos.
O ex-fuzileiro logo se adapta ao novo organismo, com o qual volta a andar. Jake acaba se infiltrando entre os Na'vi, ajudado pela jovem Neytiri (Zoë Saldana, de "Star Trek"), por quem vai se apaixonar. Só que sua missão é comunicar a eles que o lugar onde vivem será destruído para que um valioso minério seja explorado. Logo, se verá obrigado a escolher entre a vida real entre os humanos e o novo lar.
Com sua epopéia sobre a relação entre a humanidade e o planeta, "Avatar" é bem-sucedido em aliar um roteiro politicamente correto com uma revolução tecnológica de encher os olhos. Para aproveitar a experiência de cerca de 2h40 ao máximo, vale a pena pagar mais caro para assistir ao longa em sua versão 3D, disponível em cópias legendadas e dubladas.
Ainda que o resultado não tenha sido revolucionário como o prometido, à parte dos efeitos especiais, James Cameron mais uma vez conseguiu fazer cinema de primeira qualidade.
O Nada
Ultimamente tenho andado pensativa e analisando demais minha vida, em como tudo anda difícil, sem inicio e nem fim. Caminho em meio a pedras, tropeço e caio quase que diariamente, e pra levantar é muito difícil porque não tenho ninguém para estender a mão e me ajudar a levantar. Sinto falta de muita coisa, sinto vontade de viver, ir para lugares que nunca fui, conhecer pessoas diferentes, tudo isso parece fácil para algumas pessoas, mas para mim é como um sonho distante, quase que impossível de se alcançar.
Me machuco, sofro, sangro, choro, grito, mas ninguém ouve, ninguém vê.
Para mim soa tudo como que palavras perdidas ao vento, sem valor, porque a solidão não responde, não sugere nada, apenas o silêncio e o vazio que preenche meu peito de sonhos e vontades esquecidas por todos que seguem sua vida, correm tanto que não consigo alcançar, daí acabo ficando esquecida em meio ao nada.
Me machuco, sofro, sangro, choro, grito, mas ninguém ouve, ninguém vê.
Para mim soa tudo como que palavras perdidas ao vento, sem valor, porque a solidão não responde, não sugere nada, apenas o silêncio e o vazio que preenche meu peito de sonhos e vontades esquecidas por todos que seguem sua vida, correm tanto que não consigo alcançar, daí acabo ficando esquecida em meio ao nada.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Suicídio
(Emil Cioran)
A ideia do suicídio é uma grande consolação: ajuda a suportar muitas noites más
(Friedrich Nietzsche)
O suicídio não é querer morrer, é querer desaparecer
(Georges Perros)
A melhor morte é aquela que nos agrada
(Henri Montherlant)
A vida é o valor máximo de que dispomos para pagar seja o que for.
E é por isso que o suicídio valoriza por extensão o que se tiver realizado.
Se escreveste um livro ou dois que não levantam grandes aplausos e desejas naturalmente que sim, mete uma bala na cabeça
(Vergílio Ferreira)
O suicídio demonstra que na vida existem males maiores do que a morte
(Francesco Orestano)
Quando olho para mim não me percebo.Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto.
Eu Serei tal qual pareço em mim?
Serei Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa
Assinar:
Postagens (Atom)



