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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Transtorno de personalidade borderline é uma doença mental grave que foi estimada a afectar tanto como 5,9% da população. DBP pode impedir tentativa de um indivíduo de funcionar até mesmo nos níveis mais básicos, ao mesmo tempo, impactando negativamente a amigos e familiares da pessoa que sofre. Apesar de sua prevalência, DBP tem sido historicamente marginalizado e incompreendido, usado até mesmo entre os médicos como um diagnóstico pega-tudo para os pacientes que são considerados “difíceis” e resistentes ao tratamento. Uma das características fundamentais da DBP é uma diminuição da capacidade de regular emotions.2 Conseqüentemente, a vida emocional de alguém com BPD é freqüentemente voláteis, mesmo com eventos menores levando a uma resposta, desproporcional geralmente muito negativo. Isso pode se manifestar como raiva em resposta a um insulto de um amigo próximo ou como um ataque de desespero intenso, marcado por um sentido global de desesperança e tristeza profunda após um pequeno contratempo. Embora esses estados emocionais raramente duram mais do que algumas horas, a freqüência destas alterações podem ter um efeito muito desestabilizador sobre o indivíduo. Além deste componente emocional, DBP é caracterizada por interrupções no estreitas relações interpessoais. Uma pessoa com BPD tendem a idealizar seus relacionamentos mais íntimos apenas para atacar quando sentem rejeição. Esta hipersensibilidade é em grande parte derivado de um medo intenso de ser abandonado por amigos e caregivers.2 Infelizmente, as tentativas para evitar este abandono temido muitas vezes pode ter o efeito oposto, empurrando as pessoas próximas ao indivíduo fronteira mais distante, que então alimenta a auto-conceito de “maldade” que muitas pessoas com BPD porto. Eles muitas vezes acreditam que há algo inerentemente negativo ou indigno sobre eles, embora esta percepção é em si instável e humor dependent. Embora os riscos e perigos desta doença são muito real, as últimas décadas ter visto uma maior compreensão dos factores subjacentes a desordem. Estudos têm demonstrado que um ambiente invalidar contribui para o desenvolvimento deste disorder.8 Uma história de abuso ou trauma também é comum entre os pacientes com BPD.2 Além destes factores ambientais, a pesquisa demonstrou uma predisposição genética significativa para traits.2 limítrofe , 7 Juntamente com estes insights sobre a evolução da doença, tem havido um surgimento de métodos mais eficazes de tratamento especificamente adaptados às necessidades dos pacientes com DBP. Um dos mais bem conhecidos e altamente respeitados destas é a terapia comportamental dialética (DBT), desenvolvido pelo psicólogo e pesquisador Marsha Linehan. (Você pode ler mais sobre sua experiência pessoal com BPD neste artigo do The New York Times). alvos DBT lutas interpessoais do paciente limítrofe, dificuldade de regulação da emoção, e impulsividade, enquanto o ensino centrais “mindfulness” habilidades. Terapia baseada mentalização (MBT) é um outro tratamento emergente e promissor para DBP, desenvolvido por dois pesquisadores e clínicos, Peter Fonagy e Anthony Bateman. MBT tem sua base em estudos Fonagy de penhora, o que levou à criação desta terapia projetado para ajudar os pacientes borderline melhorar a sua capacidade de compreender ambos os seus próprios, bem como de outros estados mentais e, assim, criar uma mais sólida auto-concept.2, 9 Mesmo com esses avanços, muito trabalho ainda precisa ser feito para tornar esses recursos mais acessíveis e amplamente disponíveis para quem precisa. Outros esforços também precisa ser feito para combater o estigma que tem sido injustamente ligado a esta doença. Uma consciência maior de DBP entre os clínicos e para o público em geral irá permitir o progresso contínuo na compreensão e tratamento desta doença. Por muito tempo, transtorno de personalidade borderline tem sido ignorada e mal representado, em grande detrimento das muitas pessoas que ainda sofrem os seus efeitos. A fim de lidar com estas emoções dolorosas e turbulento, as pessoas com BPD pode recorrer a medidas extremas, aparentemente. A auto-lesão mais comumente corte, mas também queimando, batendo, e-picking é pele considerada um marco da doença, assim como muitos outros impulsivos, atos auto-destrutivos, como comportamentos alimentares desordenados, promiscuidade e abuso de substâncias. Uma história de tentativas de suicídio é muito comum em pessoas com DBP, e um 8-10% estimado de pacientes borderline terá sucesso em tomar suas próprias vidas.
Autora de best-sellers sobre psicopatia, bullying e TOC, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva se volta para um transtorno ainda pouco conhecido no país: o da personalidade borderline. Em seu novo livro, “Corações descontrolados” (Ed. Fontanar), ela conta como são as pessoas que vivem no limite de suas emoções e também como lidar com elas. E dá exemplos: “A Carminha, de Avenida Brasil, é totalmente border” O nome do seu livro é "Corações descontrolados. Ciúmes, raiva, impulsividade, o jeito borderline de ser". Que jeito é esse? Todos nós apresentamos momentos de explosões de raiva, tristeza, impulsividade, teimosia, instabilidade de humor, ciúmes intensos, apego afetivo, desespero, descontrole emocional, medo de rejeição, insatisfação pessoal. E, quase sempre, isso gera transtornos e prejuízos para nós mesmos e/ou para as pessoas ao nosso redor. Porém, quando esses comportamentos se apresentam de forma frequente, intensa e persistente, eles acabam por produzir um padrão existencial marcado por dificuldades de adaptação do indivíduo ao seu ambiente social. Quando isso ocorre, podemos estar diante do transtorno da personalidade borderline. Os borders apresentam hiperatividade emocional, ou seja, é muito sentimento e muita emoção sempre. E costumam lidar muito mal com qualquer tipo de adversidade, especialmente as que envolvem rejeição, desaprovação e/ou abandono. Quando se deparam com uma situação dessas, desencadeiam uma reação de estresse muito mais intensa e abrangente do que o esperado. E chama-se borderline por isso, porque vivem no limite das emoções. É o transtorno do amor? É o transtorno dos afetos. Porque o amor deve ser funcional, positivo. O que o border tem é um afeto disfuncional. Existe uma personalidade borderline e um transtorno de personalidade borderline? Como é isso? Qual a linha divisória? A personalidade é o jeitão de cada um. É a parte biológica somada ao que aprendemos, à cultura. A junção dessas duas partes vai gerar uma série de comportamentos recorrentes, que caracterizam a personalidade de cada um. A personalidade borderline é marcada pela dificuldade nas relações interpessoais, pela baixa autoestima, instabilidade reativa do humor e impulsividade. Quando essas características se apresentam de forma muito disfuncional, nós a chamamos de transtorno. Tipos diferentes de personalidades, mesmo com traços aparentemente negativos, podem ser requisitos para determinadas atividades, não? Quer dizer, não é qualquer tipo de pessoa que pode ser, por exemplo, um médico voluntário, trabalhando em meio à fome na África ou ajudando sobreviventes do terremoto no Haiti. Só é transtorno quando apresenta problemas sérios para a pessoa, quando é tão disfuncional que a pessoa deixa de ser produtiva. Tirando isso, a personalidade border, ou, como dizemos, o traço border, pode ser muito interessante, se a pessoa não tem ataques de fúria, dependência. Grandes causas sociais, como você mencionou, demandam pessoas com grande capacidade de sentir empatia, com grande sensibilidade e que precisam de um alto grau de aceitação. Uma outra característica comum nessas pessoas é a fluidez na autopercepção. Por isso, pessoas com traço border dão grandes atores. Quando tratamos alguém com o transtorno, temos que ter em mente que, antes de mais nada, essa é uma maneira de ser, uma base estabelecida que não muda. O que buscamos no tratamento é transformar o transtorno em traço: ou seja, a pessoa vai continuar a ser sensível, emotiva, mas ela não vai capotar naquilo, vai canalizar para coisas produtivas. O quanto do transtorno é biológico e o quanto é fruto do meio? No livro, a maior parte das pessoas com o transtorno teve vidas muito duras, marcadas por abuso sexual, agressão física, abandono. Como se pode dizer que isso é biológico? Sabemos é que 50% são biológicos e 50% estão relacionados à criação, ao meio, à cultura. Quando a pessoa tem a biologia, mas vive num meio normal, o transtorno vai se apresentar de uma forma muito mais branda ou como traço. A estrutura genética não muda, mas é possível moldar a forma como se apresenta. Como é a vida de quem tem o transtorno? A pessoa tem uma dificuldade muito grande nos relacionamentos. Ela tem a autoestima destruída. Se vê muito pior do que é, de maneira depreciativa, e acha que a solução está no outro; é na dependência afetiva do outro que ela busca segurança e legitimidade. E é muito impulsiva. Mas essa impulsividade se manifesta de uma forma muito específica: ela está relacionada a explosões de raiva e ira. O border, como dizemos, é aquela pessoa que, literalmente, fica cega de raiva. Todo mundo que já viveu uma paixão alucinada sabe como é ser border: esse é o jeito border de ser. O estado da paixão, de acordo com a ciência, dura de dois meses a dois anos justamente porque, se durar mais, ninguém aguenta. Mas o border vive assim. Trata-se de um transtorno que acomete muito mais mulheres do que homens. A neurociência explica por quê? Sabemos que 75% dos pacientes são mulheres. Não sabemos exatamente por quê, mas não chega a ser uma grande surpresa se pensarmos que o transtorno está relacionado a uma hiperatividade do sistema límbico, que é o nosso verdadeiro coração, a região do cérebro que regula as emoções. No border, o sistema funciona demais, no extremo das emoções. Nos momentos de maior impulsividade, é como se houvesse uma pane total no sistema, um curto-circuito. Como a questão das emoções já é naturalmente mais marcada para as mulheres, é de se esperar que elas sejam a maior parte dos pacientes. Por outro lado, os homens, com cérebros mais racionais, são a maioria dos que sofrem de transtorno de psicopatia — em que o sistema límbico não funciona ou funciona muito pouco, o que os torna incapazes de ter empatia, de se sensibilizar com o sofrimento dos outros. A adolescência é uma época em que as emoções já são muito mais intensas. Como é o transtorno nessa fase da vida? O transtorno surge pela primeira vez nessa fase que é, em geral, quando ocorre o primeiro rompimento ou afeto não correspondido. Essa rejeição desencadeia o curto-circuito. A adolescência é a época das paixões, da impulsividade, da sexualidade, do comportamento de risco. Tudo isso faz parte, o adolescente tem que arriscar para aprender. É uma erupção emocional. No border, no entanto, é uma hemorragia. A automutilação é um comportamento recorrente. E se você perguntar por que ele fez aquilo, vai dizer que é para aliviar a angústia, o vazio. E alivia mesmo? Por quê? Sim. Ele se sente muito melhor porque deixa de sentir angústia. Quando há uma ameaça física ao corpo, o sistema de defesa e estresse é acionado. A substância liberada para tamponar a agressão é a endorfina, que é um anestésico. Por isso, um tratamento ótimo é a atividade física intensa, que libera endorfina. A Carminha, de Avenida Brasil, é border? Totalmente. Basta ver aquelas explosões de fúria, de ódio, sua instabilidade emocional. E, ao mesmo tempo, o grande pavor que tem da rejeição. Aquela família é seu alicerce, ela jamais se separaria, embora diga o contrário. Existe tratamento? É possível diminuir a hiperatividade do sistema límbico com medicações específicas em doses específicas — muitas vezes mínimas. Com isso, você reduz muito os ataques de fúria, os atos destrutivos, as agressões; baixa a bola do sistema mesmo. Mas, paralelamente, é preciso terapia, uma terapia muito específica, mais direcionada para o presente do que para o passado, que vai treinar a pessoa a viver com menos intensidade, a sangrar menos. A não morrer de hemorragia. Borderline, um transtorno de personalidade no limite das emoções Hiperatividade emocional leva a ciúmes intensos, ataques de ira e desespero, explica especialista por Roberta Jansen 20/10/2012 14:00 / Atualizado 22/10/2012 12:07 Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/borderline-um-transtorno-de-personalidade-no-limite-das-emocoes-6463834#ixzz390Vi7h1M

quinta-feira, 11 de março de 2010

Longe...

Postando novamente a pedido de alguem especial:





Ainda que o tempo percorra o infinito,
E penetre na mais profunda imensidão do sentir.
Ainda que a lembrança esquecida seja recordada,
No momento em que o fim se aproximar.
Ainda que tudo se torne oco,
E o vazio preencha os espaços formando o nada.
Ainda que em mares distantes,
Haja sobreviventes da liberdade perdida.
Ainda que não importa onde nem porque,
O que venha a acontecer,
Não sera nada se tudo estiver longe de você.

sábado, 6 de março de 2010







É insuportável o sentir.
Me exceder em medos e sensações vagas e incompreendidas
Como entender o que nem é sabido?
Existir em caos de ausência e urgências
Perder-se em encontrar o que não se pode perceber
A intensidade da falta
Somada a carência sufocada
Não dá pra compreender palavras em catarse
Palavras que fogem a normalidade
Que se perdem em utopias transformadas em peso
Subir sem descer... Enxergar sem ver.....
Perfurar o que está ferido sem receio da dor
Sem perder a frieza de um coração esmagado.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Ciclo





Caminho por entre espinhos, em cada andar.
Perco-me por entre passos curtos porém largos
Olho para o lado... Longe na distância que separa
A realidade ilusória construída por fragmentos de dor
E pedaços de sentimentos contraditórios.

Atravesso a tempestade de forma lenta e passiva
Meus olhos sangram ao enxergar,
O que não pode ser visto.
Perco os sentidos e a vida não mais é sentida,
Ela é expressa somente no instante vivido.

Dois caminhos se cruzam,
Duas estradas e um só pensamento,
A dúvida corrompe o caminhar,
Levando ao extremo da insanidade.

O que fazer se não há nada a ser feito?
O que mudar se a escolha não decide?
Esperar... Acordar.... Continuar a caminhar.....

domingo, 31 de janeiro de 2010

Sem lugar





O que fazer quando nada mais importa?
Pra onde seguir se as portas se fecharam?
A escuridão tomou conta da sala,
Que esta fechada para visitação.

As janelas não se abrem,
A claridade insiste em penetrar pela fenda,
Que aos poucos diminui
Bloqueando a passagem do vento.

O nada corrompeu os sentidos
O vazio preenche os espaços
E a vida se esvaindo em meio ao caos da alienação.

Prosseguir é o mais difícil,
Desistir é possível,
Permanecer imutável na solidão de si mesmo
Com o tempo correndo ao contrário.

Perder o que não se tem,
Encontrar o que não se conhece,
Partir sem deixar marcas
Somente a procura do inexistente.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A vida à beira de um abismo

Por: Naiara Magalhães



Ana, de 26 anos, é uma jovem de feições delicadas. A pele alva contrasta com os cabelos escuros, lisos e curtos. Ela é do tipo que sempre busca as palavras exatas para expressar suas opiniões e sentimentos. Domina quatro idiomas e estuda numa das melhores universidades do país. Bonita e inteligente, Ana seguiria um caminho sem relevos ríspidos, não fosse o abismo. Ele se abre à sua frente na forma de um vazio que a tudo engole, da sensação de abandono e do medo de perder os próprios contornos, aparentemente tão bem delineados. Ana sofre, e sua dor lhe parece inextinguível. Num ato de coragem, a jovem concordou em dar os depoimentos que constam desta reportagem:

– Já perdi a conta de quantas vezes tentei me matar. A situação mais séria data de quatro anos atrás. Minha mãe me encontrou desmaiada no chão do quarto, depois que tentei me enforcar. Aos 14 anos, me joguei na frente de um caminhão. Fui salva por um estranho, que me puxou de volta para a calçada. Já cortei várias vezes os pulsos e, em outras, consumi quantidades exageradas de remédios. Para mim, a vida é uma obrigação.

Aos 20 anos, Ana foi diagnosticada com distúrbio fronteiriço da personalidade – é considerada uma borderline, para usar a terminologia em língua inglesa. Seus portadores têm imensa dificuldade em se incluir até mesmo nos amplos limites da nova normalidade. O Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais, o guia das doenças psiquiátricas da Associação Americana de Psiquiatria, caracteriza a doença com uma lista de nove sintomas: sensação constante de vazio; acessos injustificáveis de raiva; alternância constante e extrema de humor; relações interpessoais intensas e instáveis; comportamento impulsivo; ideias frequentes de suicídio ou automutilação intencional; episódios de paranoia; autoimagem instável; e esforços desmedidos para evitar um abandono verdadeiro ou imaginado. Nada, porém, define mais integralmente os fronteiriços do que a metáfora usada pela psicóloga americana Marsha Linehan, professora da Universidade de Washington e referência mundial no estudo da doença: "Eles são o equivalente psicológico dos pacientes vítimas de queimaduras de terceiro grau. Não têm nenhuma ‘pele emocional’ para protegê-los. O mais leve toque ou movimento pode causar-lhes muita angústia". É como se vivessem o tempo todo "imersos em tempestades emocionais que nunca se acalmam", escreve o psiquiatra e psicanalista israelense Yoram Yovell, no livro O Inimigo no Meu Quarto – E Outras Histórias da Psicanálise (editora Record).

O termo borderline para designar o paciente que sofre desse transtorno psiquiátrico foi usado pela primeira vez no fim da década de 30, pelo médico e psicanalista americano Adolph Stern (1878-1958). Acreditava-se, na ocasião, que seus portadores estavam na "fronteira" entre neurose e psicose. A definição do problema como um distúrbio de personalidade caracterizado por extrema instabilidade emocional e impulsividade foi consolidada entre as décadas de 60 e 70, por Otto Kernberg, psicanalista austríaco, e John Gunderson, psiquiatra americano. As estatísticas sobre a incidência dos fronteiriços na população variam de 2% a 6%. A levar em conta a proporção máxima, eles formariam um contingente semelhante ao dos que sofrem de transtornos da ansiedade, que ficam em terceiro lugar na lista dos distúrbios mentais mais comuns.


Com o aperfeiçoamento dos exames de imagens, foi possível verificar que os fronteiriços apresentam deficiências no funcionamento de uma área do cérebro conhecida como lobo frontal. Localizada bem acima dos olhos, ela é responsável, entre outras funções, pela elaboração do pensamento e pelo planejamento das ações. Alterações nessa porção cerebral podem comprometer o juízo crítico e contribuir para o descontrole emocional. Mas, como nem todos os que exibem tais falhas no lobo frontal são fronteiriços, a conclusão é que as influências familiares e sociais são determinantes. Isso não significa que cada borderline tenha sido agredido ou negligenciado na infância. A combinação de uma criança detalhista com uma família perfeccionista, por exemplo, pode contribuir para a formação de um adulto que não consegue se sentir satisfeito com suas realizações, não conclui projetos e, assim, desenvolve uma sensação crônica de vazio – aspecto central do transtorno.

A sensação de abandono é comum a todos os fronteiriços. É como se reproduzissem continuamente o sentimento da criança pequena que teme a mais breve ausência dos pais – fonte de nutrição, afeto e amparo – como uma perda eterna. "Em certo sentido, a criança cresce e aprende a ser independente quando consegue procurar a imagem dos pais dentro de si, e não à sua volta", diz Yovell, em O Inimigo no Meu Quarto. A partir do momento em que ela não consegue realizar essa interiorização, está dado o primeiro passo para a formação de um adulto doentiamente carente. Às vezes, no entanto, o sentimento de rejeição é fruto de um abandono real (veja o depoimento de Marta abaixo).

No desespero para não se sentir desamparado, o fronteiriço costuma "grudar" em seus amigos, médicos, cônjuges ou parentes – sufocando-os e, consequentemente, afastando-os. Como o fronteiriço só consegue se definir a partir do outro, ele muda constantemente de área de estudo, religião e estilo de vida, ao sabor das influências dos amigos ou familiares. "Assumir a identidade de pessoas próximas é uma tentativa de evitar a rejeição e o abandono que eles tanto receiam", explica o psiquiatra e psicoterapeuta Erlei Sassi, coordenador do Ambulatório Integrado de Transtornos de Personalidade e do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse comportamento típico do borderline é semelhante ao do adolescente. Diz a psicóloga Jonia Lacerda, do Ambulatório de Família do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo: "É como se eles vivessem uma adolescência vinte anos mais longa do que as pessoas sem o transtorno". Vinte anos não é força de expressão. Por motivos ainda insondáveis, a partir dos 40 anos, boa parte dos pacientes tem atenuado não só esse como os demais sintomas que definem a sua condição. O problema, claro, é chegar até lá razoavelmente inteiro. Tamanha insegurança impede a construção de uma autoimagem de fato positiva. Diz Ana:

– Só consigo enxergar os meus defeitos. O reconhecimento das coisas que faço e tenho de bom (se é que há algo de bom em mim) tem de partir necessariamente dos outros. E não pode ser qualquer um. Na faculdade, por exemplo, o aval de um professor só tem valor se ele estiver entre os mais conceituados. Se eu parar para pensar, sei que isso é um absurdo, que impede que minha vida flua. Mas eu simplesmente não consigo evitar. Esse tipo de pensamento toma conta de mim e vai crescendo, crescendo... É um círculo vicioso infernal.

Para cumprir a obrigação de viver, é comum que o fronteiriço lance mão de aditivos. De acordo com um levantamento feito em 2008 pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo, dos Estados Unidos, 42% dos fronteiriços são dependentes de álcool e 30% abusam das drogas. Muitos não conseguem levar os estudos superiores até o fim. Boa parte não se casa ou é divorciada.

Devido ao fato de ser um transtorno de personalidade, ele pode ser confundido, no início, com um temperamento mais impulsivo. Por esse motivo, um paciente leva, em média, de cinco a dez anos para ser diagnosticado como fronteiriço. "Em geral, os doentes chegam ao consultório por causa de problemas decorrentes do transtorno – como abuso de álcool e drogas, depressão, automutilação ou bulimia", diz Geraldo Possendoro, psiquiatra e psicoterapeuta, professor da Universidade Federal de São Paulo. O diagnóstico só costuma ser fechado a partir dos 18 anos, quando a personalidade da pessoa já está razoavelmente definida. "Só assim os médicos conseguem ter certeza de que o comportamento errático não está circunscrito à adolescência, com todas as suas turbulências emocionais e comportamentais", diz Fernanda Martins, psiquiatra e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Ao contrário do que ocorria num passado não muito distante, hoje a doença tem tratamento. A questão é que os fronteiriços resistem muito aos medicamentos e às terapias. Com a palavra, Ana:

– Eu só aceitei me internar e me tratar de fato depois que tentei me enforcar. Quando o médico me disse, de maneira bastante firme, que, no fundo, a tentativa de enforcamento era um pedido de ajuda, eu cedi. No fundo, o que me move é a esperança. E é essa esperança que me faz querer ficar bem, seguir na terapia e tomar a medicação. São oito comprimidos por dia – um de antipsicótico, três de estabilizador de humor e quatro de antidepressivo. Eu estou melhorando. Aos poucos, mas estou.
A relação que os fronteiriços estabelecem com seus médicos e psicoterapeutas é bastante peculiar. Eles agem o tempo todo como se estivessem testando a dedicação e a fidelidade de quem os trata. Durante a sua gravidez, a médica Fernanda, por exemplo, teve de ser cuidadosa para evitar que suas pacientes se sentissem preteridas. "Eu costumo dizer que o fronteiriço requer um profissional muito persistente", diz o psiquiatra e psicoterapeuta Sassi. E com um sangue frio de congelar nas veias. Certa vez, no meio da noite, ele atendeu o telefonema de uma paciente. Com voz tranquila, quase infantil, ela perguntou: "Doutor, a veia jugular fica do lado direito ou esquerdo do pescoço?". Os sinais de melhora às vezes são tão sutis que podem escapar ao profissional menos experiente. "Fico extremamente satisfeito quando um paciente me telefona para dizer que está triste, em vez de chegar ao consultório com o braço marcado por cortes", afirma Sassi. "Ao me falar de sua tristeza, ele mostra que finalmente aprendeu a expressar seus sentimentos de maneira saudável." E, quem sabe, possa enveredar pelo caminho da nova normalidade, em que não cabe a ilusão da ausência completa de tormentos.



Fonte:
Revista VEJA

domingo, 17 de janeiro de 2010

5 coisas que você deve saber sobre auto mutilação





1. O que é a Automutilação?

A automutilação é definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio. As formas mais freqüentes de automutilação são cortar a própria pele, bater em si mesmo e queimar-se.

2. Por quais razões a Automutilação se desenvolve?

Embora as causas da automutilação ainda não estejam bem definidas, há evidencias de que fatores neurobiológicos e fatores psicossociais, como características de personalidade mais impulsiva e compulsiva, bem como a história de vida e o ambiente colaboram para o surgimento da automutilação. Os pacientes descrevem o início da automutilação após vivência de forte emoção, como raiva, utilizando este comportamento como forma de lidar com a emoção, um comportamento com características impulsivas. Com o decorrer do tempo, o paciente observa que obtém alivio de sensações ruins e passa a repetir a automutilação com o objetivo de obter alívio novamente. Começa a planejar e, muitas vezes, ritualizar a realização do ferimento. Estes comportamentos podem ser desencadeados por uma vivência traumática ou apenas pela lembrança desta.

Alguns dos fatores de risco relacionados a automutilação são: abuso emocional, físico ou sexual na infância; conflitos familiares; abuso de álcool e tabaco ou outras substâncias; adolescente vítima de “bulling”; presença de sintomas depressivos, ansiosos, impulsividade e baixa auto-estima.

3. Como sei identificar se alguém está com esse problema?

As pessoas que apresentam automutilação sentem vergonha e medo de revelar este comportamento, por isso procuram esconder as lesões e as fazem solitariamente onde não podem ser observadas. Elas reconhecem que este comportamento não é bem aceito pelas pessoas.

Desta forma, você poderá desconfiar que alguém apresenta automutilação quando essa pessoa:

a) Costuma usar roupas de mangas longas, mesmo no verão, com altas temperaturas;

b) Apresentam várias cicatrizes ou lesões repetidas e tem dificuldade para explicá-las;

c) Isola-se evitando situações onde seu corpo pode ser exposto, como praia ou piscina;

Vale lembrar que estas pessoas podem apresentar sintomas depressivos e de fobia social associados.

4. A Automutilação tem tratamento?

Sim, a associação psicoterapia e medicação tem se mostrado eficaz nos casos de automutilação. A psicoterapia, nestes casos, tem como um dos objetivos ajudar o paciente a identificar outras formas de lidar com frustrações, que sejam mais eficazes do que seu comportamento. Ainda não há medicação específica indicada para que o paciente pare de se mutilar, entretanto, a medicação pode ser indicada para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos que podem colaborar para a manutenção do comportamento. Há também medicações que são usadas para diminuir a impulsividade e que ajudam o paciente a resistir a vontade de se machucar, caso esta apareça.

5. A quem devo buscar para pedir ajuda/auxílio?

Buscar profissionais da área de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras. Seria mais indicado profissional com experiência no tratamento de pacientes com automutilação, pois estes pacientes apresentam algumas peculiaridades. Caso estes profissionais não estejam disponíveis, uma vez que são raros os profissionais com experiência em automutilação, seria indicado profissionais com experiência em transtornos do impulso.



Fonte:
O que eu tenho

sábado, 16 de janeiro de 2010

Oswaldo Montenegro resolveu pintar o apartamento dele.





O que levaria um cantor famoso da MPB a fazer o que fez no seu próprio lar?



“Aqui é o quarto. Pintei o chão, as paredes e o teto. Pintei tudo, não deixei nem um centímetro sem pintar. No banheiro, escrevi aqui 'sim, é você', pra não ter a menor dúvida, quando se olha no espelho, que você está ali. Dentro do chuveiro está pintado também, no boxe”, explica o músico.

Alguns poucos objetos e eletrodomésticos do apartamento não foram pintados. A televisão conseguiu escapar. Mas o aparelho de som foi todo pintado, as caixas também. O violão de Oswaldo Montenegro foi pintado na frente e atrás. E o piano também.

“Eu cheguei a pintar o piano inteiro. Mas Madalena Salles, nossa flautista, tocamos juntos durante 30 anos, disse que o piano já era demais. Mandou que eu o pusesse na forma original. Eu comecei a pintar e não consegui parar, e comecei a ter a sensação de que eu quero morar dentro de um quadro, eu não quero ter um quadro”, conta Montenegro.

Cinco anos

Foi há cinco anos, quando Oswaldo comprou latas e latas de tinta e não parou mais de pintar. “É quase como se me desse um vazio insuportável. Começar a pintar isso aqui me deu uma estranha alegria, me deu uma euforia, uma coisa que beirava a loucura no sentido mais feliz da palavra loucura. Até quando eu pintei, a arrumadeira ligou para a Madalena e falou: ‘Eu acho que o Montenegro pirou’. Eu falei: ‘Minha senhora, quando eu pintar o apartamento de outra pessoa, a senhora me interna, mas enquanto eu pintar o meu, tá tranquilo’”, explica o músico.

Evidentemente que não é muito comum esse tipo de manifestação artística dentro de casa. Será que ele não tem receio de que achem que é uma maluquice?

“O que eu diria é que não precisam se preocupar que eu estou muito bem, e que eu tenho dois privilégios dos quais eu não esqueço nunca. Um é que eu vivo cercado de afeto e o segundo é que eu tenho a sorte de trabalhar no que adoro trabalhar. Eu trabalho com teatro, música, fiz meu primeiro filme, ‘Leo e Bia’. Você poder ir pro trabalho com prazer, para mim é o maior privilegio que um homem pode ter e eu tenho”, responde.

Sérgio Antunes

A ideia de viver com prazer e experimentar o novo levou Oswaldo a inventar um personagem. “Eu pensei, tem uma coisa que eu nunca fui: eu nunca fui outra pessoa”, conta. Ele passou três meses com outro nome, outra identidade, outra profissão.

“Cortei a barba, cortei o cabelo. Fui ser Sergio Antunes, que eu inventei, que era um sociólogo e comecei a conhecer um montão de pessoas. Cheguei a viver a sensação muito louca de estar num apartamento e ouvir o meu disco. Vivi uma sensação muito louca de eu dizer no apartamento algumas coisas criticas em relação ao meu próprio disco. Depois descobri que eu era igualzinho a mim mesmo e daí voltei”, lembra Oswaldo Montenegro.

O que é lucidez e o que é loucura?

“Obviamente, é muito difícil conceituar loucura e lucidez. Mas, para mim, a lucidez tem um aspecto visível e claro que é respeitar o espaço do outro”, diferencia.

Oswaldo Montenegro é lúcido ou louco?

“Eu sou lúcido. Eu tenho certeza absoluta que eu sou lúcido. Todo ser humano deve se expressar da maneira mais livre possível. Disso eu tenho certeza absoluta, e nada melhor que a nossa casa pra gente exercer isso”.

Fonte:
Oswaldo Montenegro pinta casa para viver dentro de um quadro